Relatos amazônicos 5 - Comunidades indígenas
As três canoas descem o rio Negro levadas a remo, conduzindo o grupo de viajantes e uma caixa de isopor com comida e água. Serão três praias fluviais a serem visitadas, superfícies de areia formadas com o recuo das águas do rio nesta época de vazante. Na volta, para subir o rio, os canoeiros ligam os motores. Cada canoa é equipada com um pequeno motor na popa, o que me lembra as “rabetas” do São Francisco. Esta é a manhã do segundo dia na comunidade indígena de Boa Vista do Rio Negro. Trata-se de um núcleo de 17 famílias da etnia baré que habitam um espaço na margem direita do rio, de onde se tem uma bela paisagem das águas e das elevações que formam a Serra de Tapuruquara. Dessa posição privilegiada quanto à paisagem, veio o nome da comunidade. Na vazante é exposto um largo afloramento rochoso, uma espécie de laje, que serve como porto rudimentar, local de banho e ponto de lavagem de roupas e de diversão. Passo por uma sensação estranha nesta manhã. A superfície infinita das ...