Relatos açorianos - Ilha de São Miguel
Ouço três batidas insistentes na porta do quarto. "Um pouco estranho", penso rapidamente. O hotel em Ponta Delgada está praticamente vazio; em razão da debandada de viajantes provocada pela covid, não há outros hóspedes nos 9 quartos do estabelecimento. E neste momento, sou a única pessoa no prédio: a recepcionista limitou-se a me receber, informar sobre o quarto, deixar comigo as chaves, inclusive da porta externa do hotel; e foi-se embora. Mas a cidade é tranquila e segura e portanto abro a porta. Do lado de fora está uma mulher já idosa, baixa, de óculos. Parece agitada e tenta me explicar, em raso inglês, que está assustada com algo no andar de cima. É outra hóspede, que chegou sozinha depois de mim. Subo com ela as escadas e entro no seu quarto, um pouco menor e mais acanhado que o meu. Utilizando o tradutor do Google, relata-me que ouvia barulhos fortes no teto, que, garante ela, cessaram no exato momento em que entrei no quarto. Exercitando o meu escasso francês, poi...